Sobre a língua portuguesa… que importância tem isso???

Não temos muita paciência com empresas que não têm o mínimo respeito pela língua portuguesa e pela formação dos nossos jovens e crianças. Em última instância, pela formação dos nossos filhos.

Estudo de caso de hoje: CARREFOUR. Não há uma loja do hipermercado que não esteja coalhada de avisos (permanentes, em adesivos, ou temporários, em pedaços de cartolina espalhados pela loja) cheios de erros de português.

Nas vezes (muitas) em que reclamamos, recebemos respostas prontas, inaceitáveis. Diziam que não tinham o que fazer, pois os adesivos eram confeccionados fora e coordenados por uma empresa de comunicação contratada pela sede. Ficamos surpresos, porque isso expõe uma cadeia de erros – o gerente de loja que não comunica o erro à matriz, a matriz que contrata uma empresa para prestar um serviço errado e a empresa contratada que não tem o mínimo de vergonha de fazer errado. E ainda cobra por isso. E o Carrefour paga.

Mas e no caso dos avisos internos? Bem, diziam que iriam anotar a reclamação (mas nunca ninguém tomou nota na nossa frente) e que o erro seria corrigido. Nunca foi. Nunca vimos uma correção feita, nunca recebemos um pedido de desculpas (ou lamento) pelo erro.

Por que deveríamos receber um pedido de desculpas? Ora, porque nossas filhas vão à escola e aprendem de um jeito (no caso delas, o certo, porque optamos por colocá-las em uma boa escola, cujos procedimentos de ensino-aprendizagem acompanhamos de perto e com os quais estamos bem contentes), para o Carrefour vir e ensinar de outro (o errado). Será que os filhos dos dirigentes do hipermercado não vão à escola no Brasil? Será que continuam falando francês, como nas cidades de origem dos seus pais, importados para dirigir o negócio no Brasil? Será que os filhos dos executivos brasileiros da empresa não se importam com isso??? Gostaríamos de ter respostas a essas perguntas, de verdade!

Mas não é só o Carrefour. Compramos ontem um sabonete de uma grande indústria cosmética brasileira, importadora de produtos franceses da La Roche-Posay e, nas orientações sobre o modo de usar, havia três erros crassos.

Aconteceu também na C&A. Falamos com a gerente, mais de uma vez. Era um daqueles avisos presos à beira dos caixas, sobre preferência de atendimento a gestantes, deficientes, etc. Em cinco linhas havia três erros. Pedimos ao caixa para falar com o responsável, a gerente veio, pedimos a ela que providenciasse a substituição do cartaz, por conta dos nossos filhos, da importância da responsabilidade de cada um de nós sobre a educação deles, blá, blá, blá… Ela disse que cuidaria de tudo e nos perguntou: “Quais seriam os erros?”. Voltamos na semana seguinte. O cartaz continuava lá. Foi na C&A do Shopping Plaza, de Niterói.

E acontece sempre na estrada, na rua, em todo lugar… Nas nossas idas e vindas por aí, ficamos apreciando a paisagem. E sempre percebemos várias placas de trânsito e de mídia, algumas colocadas pelos Departamentos Estaduais de Estradas de Rodagem ou pelo Governo Federal, outras por Prefeituras locais, outras por sabe-se lá quem… com muitos erros de português. Nas cidades isso vai a níveis de exaustão…

Sentimo-nos absolutamente impotentes diante de tudo isso. Ficamos constrangidos quando temos que explicar para as nossas filhas que não é dessa ou daquela maneira que se escreve algo, embora empresas como o Carrefour, a C&A e outras digam que é. Não sabemos mais o que fazer contra esse domínio imperialista do desrespeito pela língua portuguesa.

O que nos consola é pensar no que diz o Veríssimo: crescer em uma casa onde haja (bons) livros e lê-los pode ajudar. Então, seguimos esses exemplos e enchemoos as estantes de casa. Nossa esperança é que isso, na vida das meninas, valha sempre muito mais que os avisos corporativos e públicos que elas são obrigadas a ler todos os dias, em péssimo português.

Esta entrada foi publicada em Língua Portuguesa. Adicione o link permanente aos seus favoritos.